Mudanças tendem a assustar mesmo. E tá tudo certo com isso. Mudar, significa sair, necessariamente de uma situação. Esta pode ser favorável para você, mas os seus sonhos não cabem mais naquela realidade. Esta pode ser desfavorável, mas a motivação de uma vida melhor te faz querer ir mais longe. Esse é o princípio básico da mudança, sair de um ponto A, até um ponto B, mas necessariamente sair da inércia.
Contudo, não podemos desconsiderar a realidade de que mudar causa certo desconforto. O medo de não dar certo, não estar no caminho certo ou ainda que a mudança está demorando muito para chegar são todos válidos e reais. O problema é quando eles ficam maiores que o nosso sonho. Isso nunca pode acontecer. Sonhar é que o nos mantém vivo para a vida, é o que nos mantém de cabeça erguida e com a esperança de que tudo vai melhorar.
Ficar impactado de primeira por conta das transformações da nossa vida é natural. Até em certo nível saudável, dado que precisamos disso para nos livrarmos de situações que nos colocam em perigo. Entretanto, de forma alguma, o nosso medo pode ser um impedimento para que as coisas não andem. Até porque, convenhamos, será difícil.
Ninguém nunca disse que sair de onde você está agora vai ser simples. Vai doer, vai machucar. Você vai querer desistir e o medo dessas coisas acontecerem vai acontecer. Isso também é natural e o quão mais você entender isso e entender que o que quer que você faça isso acontecerá, melhor. Você não pode lutar contra essa situação. Você deve entendê-la, abraçá-la e seguir a diante.
Eu tenho o sonho de ficar com um corpo um pouco melhor do que estou agora. Já tenho um filho de 1 ano e daqui a pouquinho chegará outro. Se eu continuar nesse meu estado de inércia, com 40 anos, estarei numa cama de hospital, entubado logo após colocar um cateter no coração cheio de gordura. Eu, definitivamente, não quero esse futuro para mim. Logo, o que eu preciso fazer é arrumar minha alimentação, arrumar meu estilo de vida para colher os frutos lá na frente.
O ponto é: vai doer. Eu vou querer desistir. Vão ter dias que eu não vou querer ir para academia. Vão ter dias eu que vou querer comer meia pizza inteira. Haverão esses dias. Mas eu tenho que entender que tudo é uma escolha. O meu futuro depende dessas pequenas escolhas que eu faço todos os dias. Uma leve dor na perna, nos braços, porque fez um exercício mais puxado e um futuro a mais com os meus filhos ou uma dor insuportável numa cama de hospital todo entubado?
Não podemos deixar o efêmero, o passageiro, o incômodo momentâneo decidir quem seremos lá na frente. E isso vale também para toda e qualquer situação da qual você precisa mudar. O emprego novo vai ter aquela semana de adaptação que nada acontece. A faculdade nova vai ter aquela aula chata no final da sexta-feira ou na manhã de sábado. Juntar dinheiro para uma viagem dos seus sonhos implica em ficar em casa alguns finais de semana, não comer em qualquer lugar que você queira, comer mais em casa e ter que lavar a louça depois… Todas essas situações são incomodas, mas a balança da vida funciona assim. Chora agora e aproveita depois.
Nota: eu não estou dizendo aqui que você precise amar o processo. Negativo. A dor continua sendo doída. A disciplina e o horário da faculdade continuam sendo chatos. O que eu quero que você reflita é sobre como podemos abstrair desses momentos passageiros beneficiando o seu eu do futuro. E se você achar que tal situação não compensa ou que o caminho não vale tanto a pena, tudo bem também. Ninguém é obrigado a passar por determinada situação que não goste só porque precisa provar alguma coisa para alguém. Ninguém precisa provar nada para ninguém.
É isso. A vida é uma caixinha de surpresas e pensar um pouquinho em você mesmo é super importante também (as vezes).







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