Eu gosto muito de ler blogs. Sempre gostei, na realidade. Desde quando comecei aqui na internet, meu sonho era ter um blog para, justamente, compartilhar com a grande rede o que acontece aqui nesse pedacinho do mundo. Na mente da pessoa que escreve e como ela enxerga o que enxerga. O que ela acha disso ou daquilo. Das visões de vida, de maternidade, paternidade, política, religião… enfim, são muitas visões de mundo.

A possibilidade de compartilhar isso com o mundo de maneira tão fácil é, simplesmente, linda. Quando, há algum tempo atrás, eu poderia compartilhar as minhas opiniões de maneira tão expressiva e de maneira tão livre? Muito provavelmente, se eu não compilasse uma resma de pensamentos e publicasse num livro ou alugasse um espaço no jornal, ninguém nunca ia saber qual era minha opinião sobre o jogo do Brasil contra a Austrália que aconteceu ontem. Ninguém nunca ia saber qual a minha opinião e porque eu acho que o Islã é a religião certa, mesmo sendo anglo-católico. E ninguém nunca saberia a história por de trás desses pensamentos doidos. Isso é muito legal, a internet nos deu essa liberdade.

Ao mesmo tempo, nos deu a possibilidade de sonhar com quem escreve determinados textos, sem ao menos ter visto a pessoa. Quem poderia estar escrevendo essa carta que chegou até mim? Uma menina negra, esguia, cheia de pensamentos sobre a vida, sobre coisas que viveu e eu nunca vou viver. Sobre coisas que nunca viveu, mas tem certeza que um dia viverá. Um senhor, branco, cansado da vida, meio barrigudo de cerveja, vindo de outra região do país, vindo cá pobre, com a mãe, 3 outros irmãos, sem pai. Conheceu a sua esposa numa ida a praia quando o trabalho o permitia descansar. Um jovem, 17 anos, se achando revolucionário, achando que o Brasil é um país comunista e pretende fazer a revolução liberal por aqui. Suas cores são preto e amarelo e seu lema é liberdade acima de tudo. Não conhece nada do que é a vida, não conhece nada do que será. Nem se conhece.

Ninguém nunca sabe, ou saberá, de fato quem é a outra pessoa que está no outro lado da tela. E é isso que eu também gosto da internet. Obviamente, tem seus pontos negativos, mas em geral, esse mistério, acaba me conectando muito mais ao escritor.

Da mesma maneira, quem escreve, não sabe a quem essa mensagem chegará. Traz, com isso, certa responsabilidade para quem digita, mas também nos faz imaginar até onde as nossas palavras podem chegar. “Nossas”, não. Alugamos seus usos, pegamos emprestado seus significados para transcrever aquilo que existe em nós. Desentranhamos nossos cérebros, nossos corações, nossos úteros, fígados, intestinos em palavras, na esperança de que algum dia isso faça sentido nos cérebros, corações, úteros, fígados e intestinos das outras pessoas também. Que a nossa emoção seja tão emocionante para com o outro quanto é para conosco.

Tudo isso sob o véu da dúvida, do escondido. Sob o véu da imaginação de quem escreve, da visualização de quem lê.

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Eu sou o Eduardo

Programador backend Java com alguns anos de experiência em desenvolvimento, querendo sempre aprender mais e compartilhar meus aprendizados e desafios com o mundo. Aqui você vai ver um pouco de tudo: desenvolvimento, carreira, vida pessoal… enfim, fique à vontade para me mandar uma mensagem e trocar figurinhas!

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